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Desvio de combustível em números: o que as pesquisas mostram

O diesel é 35% do custo da operação e quase ninguém mede o que vaza dele. O que a pesquisa com 3.546 transportadoras revelou, as faixas de perda que o mercado estima e quanto isso custa numa frota de verdade.

Fernando Buniowski4 min de leitura
Desvio de combustível em números: o que as pesquisas mostram

Todo gestor de frota desconfia que perde combustível. Quase nenhum sabe quanto. E os números publicados sobre o tema mostram que essa distância entre desconfiar e medir é exatamente onde o problema mora.

Este texto junta o que as pesquisas e o mercado de gestão de frota dizem sobre o tamanho do desvio e das perdas de combustível no Brasil, e faz a conta do que isso significa numa frota de verdade.

O alvo é o maior custo da operação

O diesel representa, em média, 35% do custo operacional das transportadoras brasileiras. É a maior fatia da estrutura de despesas do setor, maior que manutenção, maior que pneu. Qualquer porcentagem pequena que vaze daí vira um número grande no ano, e é justamente por ser o maior custo que o vazamento passa despercebido: uma variação de poucos por cento se esconde com facilidade dentro de uma conta que já é enorme e que oscila com preço de bomba, rota e safra.

O que as pesquisas mostram: quase ninguém mede

Uma pesquisa do Instituto Somatório em parceria com a Sem Parar Empresas, feita com 3.546 empresas de transporte em 191 municípios de 17 estados, chegou a números que explicam muita coisa:

  1. De cada 100 empresas de transporte, só 15 fazem gestão de frota.
  2. Mais da metade não tem nenhuma ação contra perdas e fraudes com combustível.
  3. Metade das empresas afirma nunca ter passado por perda, fraude ou desvio de combustível.

O terceiro número é o mais revelador quando lido junto com os dois primeiros. Metade das empresas diz que nunca sofreu desvio, num setor em que a maioria não tem como saber. Quem não mede não encontra. A ausência de desvio na percepção do gestor, na maior parte dos casos, é ausência de instrumento, não ausência de problema.

As faixas que o mercado estima

Ninguém tem um censo do desvio, por natureza ele se esconde. Mas as estimativas correntes entre empresas de gestão de frota e telemetria convergem pra faixas parecidas:

  1. Perdas somadas com combustível (desvio, abastecimento não autorizado, desperdício por má condução e manutenção atrasada) comprometem entre 10% e 20% do orçamento de combustível de uma operação sem controle.
  2. Em frotas sem rastreamento, estima-se que de 5% a 12% do combustível é queimado em deslocamento que não é operação.
  3. A regra prática do setor: veículo com consumo mais de 10% pior que o padrão merece investigação.

E há o desperdício que nem é fraude: a Pesquisa CNT de Rodovias 2025 estimou que só a má conservação do pavimento fez o país queimar mais de 1,2 bilhão de litros de diesel além do necessário em um ano, um prejuízo de R$ 7,21 bilhões aos transportadores. Combustível some por muitos ralos ao mesmo tempo, e sem medição eles viram um ralo só, invisível.

A conta na sua frota

Traduzindo as faixas pra uma operação concreta: uma frota que gasta R$ 100 mil por mês de diesel e perde modestos 5% está deixando R$ 5 mil por mês na mesa, R$ 60 mil por ano. Na faixa de 10%, é um caminhão seminovo a cada dois anos, evaporado. E o gestor que não mede não escolhe em qual dessas faixas está: só descobre depois, quando fecha o instrumento de medição.

O contraste com o custo de controlar é o argumento inteiro. Medir custa uma fração de um por cento do orçamento de combustível. Não medir custa uma das faixas acima.

Por que o desvio não aparece em relatório

O desvio clássico não acontece de uma vez, acontece em doses. Vinte litros a mais declarados aqui, um cupom de outro carro ali, um consumo que piora 8% e fica assim. Nenhuma dessas doses aparece num relatório mensal agregado, porque o total oscila por mil motivos legítimos. O desvio só aparece quando cada abastecimento é comparado com o histórico do próprio veículo: a mesma placa, a mesma rota típica, o mesmo padrão de consumo.

É esse instrumento que o Canguru dá pro gestor: o motorista registra cada abastecimento na hora, com KM, litros, valor e quatro fotos com GPS, e o sistema compara tudo com o padrão daquele veículo. Consumo fora da curva, salto de quilometragem estranho e preço acima do mercado viram anomalia sinalizada na tela, com a evidência anexada, sem travar a operação. Pra saber em qual faixa a sua frota está, é em canguru.tech.

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